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Clonagem
reprodutiva divide comunidade internacional
da France
Presse, em Nova York
A comunidade
internacional permanece dividida a respeito da adoção
de uma convenção que proíba a clonagem humana
com fins reprodutivos, no momento em que o movimento raeliano
anunciou o nascimento de um bebê clonado.
A
comissão das Nações Unidas que devia estabelecer
os itens da resolução dissolveu-se no final de
setembro, em Nova York, Estados Unidos, sem conseguir um acordo sobre
o texto proposto por Alemanha e França. A adoção
deste texto aceleraria o processo e permitiria que a
convenção fosse adotada até o fim de 2004.
O bloqueio
oscila entre a oposição dos partidários de uma
proibição imediata da clonagem reprodutiva e aqueles
que, como Estados Unidos ou o Vaticano, querem que sejam proibidas
todas as práticas de clonagem humana, seja com fins
reprodutivos ou terapêuticos.
Alguns
países que declararam ilegal a clonagem reprodutiva deixaram a
porta aberta para a clonagem com fins terapêuticos, pois ela
permitiria o tratamento de várias enfermidades até
agora incuráveis.
Washington e o
Vaticano são os principais defensores desta
proibição, porque consideram o embrião como um
ser humano. Em pesquisas com embriões, eles podem ser
destruídos, como ocorre na retirada de células-tronco.
Ao
contrário de outras questões referentes à
reprodução humana, como aborto ou controle da
natalidade, os dois Estados estão sozinhos em sua oposição.
Para os
países islâmicos, por exemplo, o início da vida
de um ser humano começa 40 dias depois da
concepção --os embriões com fins
terapêuticos, fabricados para usar algumas de suas
células, são "eliminados" antes desse período.
Trinta
países, de Austrália ao Japão, passando pela
maioria dos países europeus e a África do Sul, adotaram
a legislação que proíbe a aplicação
da clonagem reprodutiva. Neste mês, o presidente francês
Jacques Chirac pediu à ONU proibir "o mais rápido
possível" a clonagem reprodutiva.
O Conselho da
Europa adotou um protocolo que proíbe "qualquer
intervenção que tenha por fim criar um ser humano
geneticamente idêntico a outro ser humano vivo ou morto".
Firmado por 29 Estados e ratificado por mais oito, o protocolo entrou
em vigor em março de 2001.
Mas, devido
à ausência de uma convenção internacional
obrigatória, esses países temem ver o aparecimento de
"paraísos" onde a prática se desenvolveria.
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