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Oposição dos EUA atrapalha acordo sobre clonagem humana na ONU da Reuters, na seda da ONU

Defensores de um tratado global para proibir a clonagem humana estão acusando Washington de introduzir políticas norte-americanas contra o aborto para atrasar ou até inviabilizar o pacto.

Autoridades norte-americanas querem que a Organização das Nações Unidas (ONU) esbocem o acordo mais rigoroso possível, que garanta a proibição da clonagem de humanos e a chamada clonagem "terapêutica" ou "experimental," técnica em que os embriões humanos poderiam ser clonados apenas para pesquisa.

Todos os membros da ONU são favoráveis a um tratado que proíba a clonagem reprodutiva, capaz de originar bebês humanos. Mas apenas um punhado de nações, como Espanha, Filipinas, Vaticano e alguns países latino-americanos, apóia a posição norte-americana de que um pacto também deve banir a clonagem destinada à pesquisa.

O assunto deve vir à tona este mês. O comitê legal da Assembléia Geral da ONU agendou para 17 de outubro uma votação de uma resolução para orientar o processo de elaboração do acordo.

Para os partidários do tratado, a posição dos Estados Unidos poderia arruinar o projeto.

"A idéia de que um Estado como os EUA obstrua um acordo internacional --não por discordar, mas porque deseja algo mais-- é extremamente contraproducente e quase hipócrita", disse George Annas, professor de saúde pública e bioética da Universidade de Boston.

A versão norte-americana da resolução proibiria tanto a clonagem reprodutiva quanto a clonagem com fins científicos.

A outra versão, proposta pela França e Alemanha, proibiria apenas a clonagem reprodutiva. Ela também estimularia os governos a adotar regras ou leis restringindo outras formas de clonagem, além de sugerir que um segundo acordo seja esboçado "sem demora" sobre o assunto.

Pela proposta franco-alemã, o tratado poderia ser ratificado no início de 2004, mas a versão norte-americana seria obstruída pela polêmica sobre a proibição de pesquisas como os estudos com células-tronco, explicou Christian Much, vice-presidente do grupo de trabalho que elaborou o esboço do acordo franco-alemão.

Segundo Much, a maioria dos países apóia as orientações de Paris e Berlim, mas "os governos dos EUA e Espanha estão fazendo uma grande pressão sobre os países do terceiro mundo" para que mudem de lado.

Para outros representantes da ONU e grupos externos, Washington está indo ao encontro de movimentos contrários ao aborto que consideram os embriões usados em estudos médicos como seres humanos em potencial.

Fonte: http://www1.uol.com.br/folha/reuters/ult112u22693.shtml

 

 

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