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Cientista italiano cria nova polêmica com o primeiro clone humano


12 de julho, 2002

Às 11:44 AM hora de Brasília (1444 GMT) PARIS -- Entre o risco de ser preso e a retratação, Severino Antinori ficou com a segunda opção. O cientista italiano, especialista em reprodução humana, negou, nesta sexta-feira, todas as declarações que lhe foram atribuídas a respeito do nascimento do primeiro bebê clonado, previsto para dezembro. O desmentido aconteceu em meio à repercussão mundial de uma entrevista publicada pelo jornal Liberation, na qual Antinori afirmou que a mulher que está gerando o clone encontra-se no quarto mês de gravidez. Uma nova legislação italiana prevê pena de 10 a 20 anos de prisão, além de multa e cassação do registro profissional médico de qualquer envolvido em técnicas de clonagem humana. Talvez alertado por isso, Antinori distribuiu um comunicado, divulgado pela France Presse, em que negou "categoricamente todas as informações" sobre o nascimento do bebê clonado. "O professor Antinori desmente categoricamente todas as informações que lhe são atribuídas, relativas aos acontecimentos clínicos de nascimento e que não têm nada a ver com o programa científico sério do qual se ocupa atualmente", diz o comunicado. "Nunca falei de clonagem, que é um termo 'cinematográfico' e não científico. Só comentei alguns aspectos da reprogramação genética celular, uma pesquisa na qual estou comprometido com meu grupo internacional", acrescenta. Antinori se disse, ainda, obrigado a evitar novos contatos com a imprensa, em virtude de uma "constante alteração de informações de caráter exclusivamente científico". A entrevista publicada pelo Liberation só serviu para alimentar o mistério que ronda a suposta criação de Antinori, que disse ao jornal que não pretendia apresentar a criança em público. Antinori afirmou ter realizado 18 transferências de embriões criados por clonagem, obtendo uma única gravidez bem-sucedida. "Está em sua décima quinta semana", disse o cientista ao jornal. O feto tem boa formação". O clone, segundo Antinori, nasceria "em um lugar fora da Itália", o qual o médico obviamente não revelou. Antinori explicou por que optou por não apresentar o bebê ao mundo. "Dado o ambiente anticlonagem, seria submeter os pais a uma pressão terrível", alegou, acirrando o ceticismo daqueles que duvidam de sua experiência e afirmam que o cientista está apenas querendo se promover. "Faremos muitos testes neste menino e vamos esperar o nascimento de vinte clones para fazer uma publicação científica", disse. O ginecologista informou ainda que o programa de clonagem envolveu 50 casais que se ofereceram como voluntários. Em todos eles, o problema de infertilidade era do homem. Antinori é conhecido tanto por sua habilidade na área de reprodução humana como por inaugurar debates éticos. Em 1994, causou grande escândalo ao permitir que uma mulher de 63 anos, que já tinha passado da menopausa, engravidasse.

Com informações da France Presse
Fonte: http://www.cnn.com.br/2002/saude/07/12/clone/index.html

 

 

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