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Não estamos criando monstros - Entrevista com ginecologista italiano Severino Antinori

Não estamos criando monstros

Três mulheres estão grávidas de clones, garantiu ontem o ginecologista italiano Severino Antinori. Os três embriões foram criados a partir de células comuns de homens estéreis por médicos colaboradores de Antinori, que se autodenomina “coordenador cultural e científico” do projeto. Como sempre, Antinori não apresentou provas científicas de suas afirmações, mas causou grande polêmica. Uma das mulheres estaria na décima semana de gravidez, outra na sétima e a terceira na sexta. Antinori garantiu que os bebês clonados jamais serão apresentados publicamente “para evitar que sejam considerados monstros”. Segundo o ginecologista, as experiências foram realizadas num país islâmico. Ele disse que as mulheres estão bem e as gestações se desenvolvem normalmente.
Gina de Azevedo Marques
Correspondente ROMA

O senhor já tem pacientes grávidas? Onde estão sendo realizadas as suas pesquisas?


SEVERINO ANTINORI: Há três pacientes grávidas. Mas não posso dizer onde as pesquisas estão sendo realizadas. O motivo é óbvio. Se criou um falso mito de que estas crianças serão monstros. Para preservar a privacidade dessas pessoas não posso revelar seus nomes.

Como serão as crianças clonadas?


ANTINORI: Não se trata de filhos fotocopiados, como eu já disse tantas vezes. Não aceito que pensem que clonar é como fabricar seres humanos iguais em todos os aspectos. Homens iguais só existem nos filmes de ficção científica e na campanha mundial que fazem contra nós.

O senhor disse que tinha casais brasileiros entre seus clientes, eles já foram submetidos a algum procedimento de clonagem? Há quantos casais?


ANTINORI: Por diversos motivos não posso revelar nem o nome nem a nacionalidade dos pacientes. Posso dizer somente que as mulheres têm menos de 30 anos de idade. Posso afirmar também que respeito muito a medicina brasileira e colaboro com médicos brasileiros, mas prefiro não citar nomes.

O senhor diz que testes genéticos poderiam evitar o nascimento de bebês clonados doentes, mas os opositores da clonagem afirmam que a técnica causa defeitos genéticos novos, não detectáveis porque não são conhecidos. Como o senhor poderia garantir a saúde desses bebês?


ANTINORI: Reafirmo que os testes poderiam evitar o nascimento de bebês clonados doentes, mas é preciso considerar, por exemplo, que cerca de 2% das mulheres da população considerada normal têm filhos com retardo mental. Não podemos excluir a possibilidade de que possam ocorrer defeitos, mas podemos prevenir problemas durante a gravidez.

O que acontecerá com os embriões e fetos defeituosos?


ANTINORI: Antes de mais nada quero esclarecer que sou a favor da vida. Porém, se o feto é defeituoso não sou contrário à liberdade da mulher de optar por um aborto.

Novos estudos têm afirmado que mulheres grávidas de clones estão sujeitas a hemorragias e complicações fatais. O senhor concorda?


ANTINORI: Não concordo. O risco de complicações durante a gravidez existe e, como já disse, problemas ocorrem em muitas gestações. Mas gostaria de acabar com esta história de que estamos produzindo monstros e arriscando a vida das mulheres como se elas fossem cobaias de laboratório. Não é assim. Acompanhamos todos os casos com muita atenção.

O senhor acha que vale a pena continuar a investir na clonagem a despeito da enorme pressão internacional?


ANTINORI: Acho que sim, em nome da ciência. E penso que é um direito do casal querer ter um filho com as mesmas características genéticas de um dos pais. Não aceito pressão nem do Vaticano nem do presidente americano, que considero um talibã que quer colocar uma burka no progresso científico.

Ao clonar um homem estéril o senhor não estará perpetuando também um problema de saúde?


ANTINORI: É claro que não pretendemos perpetuar os defeitos genéticos.

Também há mulheres querendo ser clonadas?


ANTINORI: Há mulheres que querem ser clonadas, mas não posso revelar seus nomes.


O senhor conta com 38 colaboradores em diversos países. Tem parceiros brasileiros?


ANTINORI: Colaboro com alguns médicos brasileiros que considero muito bons.

Fonte: http://oglobo.globo.com/Ciencia/18787166.htm

 

 

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