|

TRANSGÊNICOS
PORQUE O MEDO?
Leila
Macedo Oda[1]; Lúcia de Souza[2]
A
dicotomia entre o desenvolvimento científico e
tecnológico e a sua ampla aplicação e
aceitação pela sociedade faz parte da história
da humanidade. Desde Galileo, as profundas mudanças de
paradigmas científicos causam espanto, medo e ceticismo.
Podemos evidenciar exemplos históricos, que vão do
domínio da informação científica pelo
clero, onde o homem comum não dispunha de mecanismos de acesso
à informação até os incautos atos da
inquisição que perseguiu e eliminou cientistas de então.
Atualmente
estamos entrando em um novo paradigma científico que deixa a
Era Química para trás e penetra na Era Biológica,
introduzindo o que alguns já denominam de
Biotecnociência. A Biotecnologia moderna introduz ferramentas
antes desconhecidas pelo homem, muito mais específicas e
poderosas. Desde o primeiro produto originado pela Biotecnologia
moderna, a insulina humana, na década de 80 até hoje,
cada vez mais fica evidente o potencial ilimitado desta tecnologia. O
sequenciamento de genomas de várias espécies, inclusive
a humana sugere possibilidades que se por um lado possibilitam a
resolução de inúmeros problemas de saúde,
de produtividade e qualidade, levantam questões éticas,
econômicas, religiosas e políticas que geram
expectativas e dúvidas cada vez maiores no seio da sociedade.
Hoje,
vivemos uma Era onde a informação científica
rapidamente é veiculada através da INTERNET e a
mídia tem um papel fundamental na formação de
opinião sobre esses temas. O jornalismo científico
entretanto, nem sempre cumpre o papel de decodificador dos temas
científicos para o cidadão comum. Não é
incomum vermos veiculadas imagens sensacionalistas e aterrorizantes
que associam a biotecnologia a um procedimento
não-natural e que levam o imaginário humano
a temer pelo seu destino futuro.
A
aceitabilidade da biotecnologia está diretamente relacionada
ao nível de informação que a sociedade
dispõe sobre o tema. Estudos sobre a percepção
pública de algumas sociedades em todo o mundo têm
demonstrado que o nível de instrução é um
dos fatores determinantes para a maior aceitabilidade. Entretanto, o
principal aspecto está relacionado à existência
de mecanismos de difusão da Ciência para a Sociedade,
que possibilite o acesso à informação
científica de forma clara, objetiva e desprovida de
interpretações subjetivas.
É
inegável o grande elenco de possibilidades que a
biotecnologia introduz para a sociedade moderna, entretanto a
desinformação, o sectarismo, a irracionalidade e
intolerância podem levar a um grande atraso na
incorporação desses processos a alguns segmentos onde
é essencial o avanço tecnológico.
Visando
um melhor entendimento da sociedade sobre os avanços da
biotecnologia, a Associação Nacional de
Biossegurança elaborou formas lúdicas de apresentar os
complexos conceitos da ciência enfatizando o atual e
polêmico tema do DNA recombinante e a pouco conhecida
biossegurança. Há várias propostas como
através de uma comédia teatral apresentar a
estória da ciência e os confrontos com a sociedade com
as mudanças de paradigmas; com um jogo interativo salientar a
busca de cuidados de biossegurança antes de tomar
decisões científicas; por meio de um programa em
escolas mostrar atividades práticas e simples os conceitos da
ciência; e vários outros meios de interação
entre cientistas e sociedade. Este projeto que conta com a parceria
de outras instituições de divulgação
científica tem o apoio do CNPq.
[1]
Ph.D em Microbiologia e Imunologia, Pesquisadora Titular da
Fundação Oswaldo Cruz, Presidente da
Associação Nacional de Biossegurança, e-mail: l.oda@uol.com.br,
www.anbio.org.br
[2]
PhD. em Biologia Molecular, Consultora Científica da ANBio e
Editora Científica do Jornal da ANBio e-mail: luciadesouza@uol.com.br
 |