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O
que está havendo na Europa?
por
James Thompson
Assessor
de Ciência, Anbio
Resultado
da Votação
No
dia 3 de julho o Parlamento Europeu completou sua primeira
sessão, com a votação de emendas às
propostas da Comissão Européia para o rastreamento e a
classificação de OGMs e de Alimentos e
Rações Geneticamente Modificados.
A
votação de 3 de julho foi o primeiro passo das cinco
etapas de procedimentos legislativos da União Européia
relacionados a estas propostas.
Com
uma margem de apenas 10 votos, de um total de aproximadamente 550
Membros do Parlamento Europeu (MPEs) com direito a voto, o Parlamento
votou a favor das propostas para o rastreamento de carregamentos de
OGMs e a favor da classificação com base no processo,
ou seja, produtos produzidos a partir da biotecnologia devem ser
etiquetados como tal, mesmo que não seja possível
encontrar uma modificação genética no produto,
como no caso do óleo de soja. Este resultado deveu-se a uma
aliança entre os MPEs do Partido Verde e do Partido
Socialista, apoiados por vários MPEs do Partido Liberal.
Além disto, o Parlamento votou a favor de uma emenda para
diminuir o limite máximo da presença de OGMs que
são aprovados na União Européia, de 1% para
0,5%, e de 0% nos OGMs não aprovados.
Uma
emenda para limitar o escopo da proposta apenas aos OGMs que podem
ser detecdados obteve ampla corroboração não
só dos DemocratasCristãos com
inclinações de direita quanto de um bom número
de Socialistas da Grã - Bretanha e de Liberais Holandeses, mas
perdeu por aproximadamente 10 votos, em parte devido à
abstenção de 25 Membros do Parlamento Europeu. Uma
outra emenda solicitando à Comissão que preparasse
legislação para a classificação e
etiquetagem de não - Geneticamente Modificados também
foi derrotada por pequena margem de votos. Nossas fontes verificaram
que as Organizações Não Governamentais (ONGs)
relacionadas ao meio ambiente conseguiram convencer de
última hora um grupo de MPEs de centro-direita, principalmente
da Áustria, a não acompanhar a liderança de seus
partidos políticos.
O
Parlamento não adotou as emendas aprovadas no mês
passado pelo seu Comitê do Meio- Ambiente para aumentar o
escopo das propostas de modo a incluir produtos pré-embalados,
produtos produzidos com o auxílio de OGMs, como as enzimas, e
produtos (ovos, carne, etc) derivados de animais alimentados com
ração GM.
Próximas
Etapas
O
foco, agora, ficará centralizado nos governos nacionais que
são Membros da União Européia, que vão
debater e votar a proposta junto ao Conselho de Ministros. O Grupo de
Trabalho, do Conselho, composto de especialistas das
Nações Membros, deu início aos debates no
outono de 2001, mas progrediu muito pouco desde então. Agora
que o Parlamento terminou a sua primeira sessão, espera-se que
o Conselho intensifique seus trabalhos no decorrer da gestão
da presidência dinamarquesa, iniciada em julho e com
duração até o final de 2002.
Conforme
os procedimentos da União Européia de co-decisão
(entre o Conselho e o Parlamento) o Conselho, na atual sessão,
tem poder para ignorar a posição do Parlamento. Caso
isto aconteça o Parlamento poderá insistir em seu
posicionamento quando da segunda sessão, e as
negociações entre as duas entidades (o processo
conciliatório) serão uma necessidade. Espera-se que a
legislação seja adotada formalmente antes do final de
2003, na melhor das hipóteses.
Comentário
Em
vista do impulso que começou a adquirir força no
Parlamento contra a abordagem da Comissão Européia nos
últimos 4 ou 5 meses em relação ao processo de
rotulagem, o resultado da votação foi um tanto quanto
desanimador. No entanto, vale a pena lembrar que muitos foram os
progressos desde a publicação das propostas em julho de
2001 e que o Parlamento é uma organização
altamente política, facilmente influenciada por argumentos
emotivos de grupos de consumidores e de ambientalistas.
Em
julho do ano passado havia, talvez, um grupo muito pequeno de MPEs
que aceitava os benefícios da biotecnologia e que sabia
claramente que as propostas da Comissão não eram
executáveis. Pouco a pouco, mais e mais MPEs passaram a
questionar as propostas da Comissão. O Grupo Democrata
Cristão, com maioria no Parlamento, e vários outros
MPEs de outros partidos deram seu voto a favor da rotulagem baseada
na detecção. Este nível de apoio poderá
ter um papel importante no restante dos procedimentos legislativos.
Além
disto, a votação de 3 de julho foi apenas o
início de um longo processo legislativo, e ainda há
chances para que os órgãos regulamentários e
seus dirigentes tornem estas propostas mais executáveis.
Visto
que os membros do Grupo de Trabalho são dirigentes de
departamentos governamentais das Nações Membros
que poderão vir a ser responsáveis pela
implementação da legislação, argumentos
quanto ao não funcionamento das propostas da Comissão e
da posição do Parlamento devem ser levados em
consideração. O fato de quase a metade dos membros do
Parlamento ter votado contra a abordagem da Comissão e o
domínio do centro-direita a partir do ano passado em um
número cada vez maior de governos membros da União
Européia também deverão ajudar.
Caso
o Conselho de Ministros mostra uma posição mais
favorável à biotecnologia, o debate resultará em
um confronto entre o Conselho e o Parlamento. O Parlamento
poderá, então, reafirmar a sua posição
adotada hoje em sua primeira sessão no decurso da segunda
sessão, a se realizar após o término da primeira
sessão do Conselho, que deverá ocorrer em 2003. Nesta
ocasião o Parlamento necessitará de maioria absoluta a
favor da sua posição, ou seja, 314 votos. O resultado
da votação de 3 de julho indica que esta não
será uma tarefa de fácil realização.
Com
este panorama o procedimento será finalizado por um processo
de negociação entre o Parlamento e o Conselho, no
Comitê de Conciliação.
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