Nova Geração de Produtos da Biotecnologia

Aluízio Borém

Alguns dirigentes das indústrias de biotecnologia reconhecem que o fato de os primeiros produtos geneticamente modificados lançados a partir de 1994 terem sido desenvolvidos para conferir benefício direto para os produtores rurais e apenas indireto para o consumidor final contribuiu para a resistência aos OGM’s em parte da população.

A falta de apelo ao consumidor final não deverá ocorrer com os produtos biotecnológicos da próxima geração. Desta vez, os dirigentes das empresas desejam ver "benefícios diretos para os consumidores finais".

Não é surpresa que quando indagados sobre o que se encontra em desenvolvimento nas empresas biotecnologia, a resposta típica começa com variedades que produzem alimentos mais saudáveis. James Tobin, diretor de biotecnologia da Monsanto listou vários produtos em fase de desenvolvimento em uma recente reunião da Minnesota Biotechnology Association ou MNBio (http://www.mnbio.org).

A composição dos ácidos graxos de oleaginosas como soja e canola está sendo geneticamente alterada para auxiliar os consumidores a reduzirem o "mau" colesterol e aumentar a disponibilidade de ácidos graxos ômega 3. Uma outra alteração é o aumento do teor de vitamina E, um anti oxidante, nestas oleaginosas.

Entretanto, Tobin indicou que estes produtos não estarão disponíveis imediatamente, pois eles estão sendo alvo de intensa investigação quanto a sua biossegurança, a semelhança do que ocorre com todos os novos produtos geneticamente modificados. Análises da segurança para a saúde humana e para o meio ambiente são conduzidas antes que os plantas geneticamente modificadas sejam liberadas pelos órgãos governamentais para o comércio e consumo. Os produtos de nova geração deverão chegar ao mercado dentro dos próximos três anos.

A próxima caracterítica da biotecnologia agrícola a atingir o mercado internacional continuará beneficiando diretamente os produtores rurais e apenas indiretamente o consumidor final. Esta tecnologia já se encontra em fase avançada de desenvolvimento e, estará sendo liberado no comércio com o objetivo de controlar a broca da raiz (Diabrotica virgifera) do milho, uma das pragas que requerem grande aplicação de inseticidas nos campos de produção. Dow Agro Sciences, Pioneer, Monsanto e outras empresas estão desenvolvendo produtos com essas caractéristcas.

Acredita-se que as variedades resistentes a broca da raiz serão adotadas muito mais rapidamente do que as variedades Bt para controle de lagartas, em razão dos enormes prejuízos desta praga e, do custo do seu controle com a aplicação de inseticidas, conforme menciona o Professor de Economia Aplicada Terrance Hurley, da Universidade de Minnesota.

Um dos benefícios das variedades resistentes a insetos para o consumidor final, frequentemente ignorado, é que o alimento produzido nestas variedades apresentam menos resíduos de inseticidas. Embora este benefício seja considerado indireto para o consumidor final, ele é de grande importância, haja vista a crescente preocupação com os riscos dos resíduos dos produtos fitossanitários nos alimentos para a saúde humana.

Prosseguindo Cautelosamente

Algumas empresas biotecnologia têm revelado apenas informações parciais sobre seus novos produtos. A Syngenta Seeds não relatou muito sobre seus novos produtos durante a reunião da MNBio. Conforme disse Tony Minnichsoffer, a Syngenta deseja estar segura que obterá aprovação dos seus produtos em outros países, especialmente na Europa, uma região onde a resistência aos transgênicos tem sido maior. "Nós não desejamos chegar a situação em que lacemos algo que encontre barreiras comerciais", disse Minnichsoffer. A cautela adicional não está relacionada a receios com a segurança destes produtos, mas com a reação do público e das instituições governamentais na Europa a estes produtos.

Mais de seis anos após a introdução dos alimentos derivados das plantas geneticamente modificadas no mercado mundial ainda pode-se observar que o público encontra-se pouco esclarecido sobre os transgênicos.

Um estudo conduzido pelo Insituto de Política Alimentar da Universidade de Rutgers em Nova Jersey, e apresentado pelo Prof. William Hallman no MNBio permite melhor entendimento sobre os motivos porque tantos consumidores não se interessam pelo debate sobre os OGM's. Apenas 11% dos americanos entrevistados pelo Instituto Gallup em setembro de 2001, disse estar acompanhando pela imprensa as notícias sobre alimentos geneticamente modificados. Estas pesquisas revelaram que o consumidor americano não sabe como os cereais que fazem parte do seu desjejum ou os óleos utilizados nas suas saladas foram desenvolvidos. Indagados sobre esta indiferença, a maioria diz confiar que os órgãos governamentais estejam cumprindo sua obrigação de fiscalizar o processo e liberar apenas os alimentos seguros para consumo. Durante este período a segurança dos alimentos geneticamente modificados tem sido confirmada. Estes produtos não causaram nenhum prejuízo a saúde humana ou ao meio ambiente desde de que as pesquisa iniciaram em 1973. A pesquisa também revelou que os hábitos alimentares do americano não modificaram nestes últimos seis anos de consumo dos alimentos geneticamente modificados. A maioria dos entrevistados disseram que eles se sentem mal informados sobre a biotecnologia. Aproximadamente a metade deles não sabia dizer se a afirmativa "tomates comuns não possuem genes, enquanto que os genticamente modificados possuem" estava correta. Obviamente que a afirmativa está incorreta, porque todo ser vivo possui genes, a excessão de alguns poucos vírus.


Aluizio Borem Oliveira
Department of Agronomy and Plant Genetics
University of Minnesota
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