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O
Relatório da Royal Society sobre GMO's
(Distorcendo
os Fatos sobre GMO's)
Aluízio
Borém*
A
Royal Society, uma sociedade científica de pretígio do
Reino Unido, lançou dia 4 de fevereiro passado um
relatório que trouxe de volta a questão da
biossegurança dos alimentos à mídia nacional e
internacional. Este relatório mostra a inexistência
de dados científicos que indicassem que os organismos
geneticamente modificados (OGM's), também conhecidos como
transgênicos, causam mal a saúde humana. Entretanto,
pode se tratar de um relatório extenso e detalhado, parte da
imprensa brasileira parece não ter entendido a mensagem
central deste relatório. Qualquer parecer ou relatório
técnico bem fundamentado deve ser responsável o
suficiente para ponderar tanto os aspectos favoráveis quanto
os desfavoráveis ao assunto em questão. O
relatório da Royal Society faz isto. Entretanto, ficou
evidente que parte da mídia brasileira não entendeu a
mensagem principal deste documento ou intencionalmente desejou distorce-la.
Uma
leitura cuidadosa deste relatório (http://www.royalsoc.ac.uk/files/statfiles/document-165.pdf)
levará ao leitor imaginar que ele só pudesse ser
utilizado como argumento para dismistificar questionamentos
infundados sobre os riscos dos alimentos geneticamente modificados.
Embora
o relatório deixe claro que não há nenhuma
razão para se duvidar da segurança dos alimentos
produzidos com ingredientes geneticamente modificados (GM) atualmente
disponíveis em vários países, o foco da
mídia ao apresentar o relatório para o público
foi as possibilidades, mesmo que remotas, dos alimentos causarem
alergias inesperadas. Nutricionistas, engenheiros de alimentos,
médicos e a sociedade científica em geral sabe que
cerca de 2% dos adultos e aproximadamente 6% das crianças
manifestam alergia a algum tipo de alimento. Enquanto alguns têm
alergia a mariscos, outros têm a nozes, chocolate,
glúten, etc.
Enquanto
o relatório da Royal Society declara abertamente que
não há nenhuma razão para que se duvide da
segurança dos alimentos GM e, que estes alimentos são
tão seguro quanto os convencionais que o homem vem utilizando,
ele não omiti preocupações de riscos de
reações alérgicas decorrente de variedades ainda
em desenvolvimento e não testadas. Esta é uma das
atribuições do FDA, USDA e EPA, agências
governamentais americanas encarregadas de avaliar a segurança
de todos novos produtos GM antes que eles sejam colocados no mercado.
No Brasil, a CTNBio é responsável pela análise
de biossegurança dos OGM's. A legislação
brasileira é considerada internacionalmente muito mais
rigorosa do que a de vários outros países como
Canadá, Estados Unidos e Argentina. Até hoje a CTNBio
só autorizou o plantio comercial da soja transgênica no
Brasil, após avaliar sua segurança para a saúde
humana e para o meio ambiente. Adotando uma política
rígida, agressiva e inédita no mundo, a CTNBio exigiu
que seja realizado o monitoramento dos possíveis impactos
ambientais destas variedades após o início do seu
plantio comercial. Embora a soja transgênica tenha sido
liberada no Brasil pela CTNBio em dezembro de 1998, até hoje
seu plantio não é legal, por força de uma medida judicial.
Tem
sido especulado pela mídia, baseado em relatos
extra-oficiais, que uma significativa parte das lavouras de soja do
Brasil, especialmente no sul do país, são plantadas com
variedades transgências argentinas. Caso esta
informação esteja correta ela significa prejuízo
múltiplo para o Brasil. Primeiro, porque isto significaria que
o país está deixando de arrecadar impostos quando se
utiliza sementes introduzidas de outros países. Segundo,
porque apenas os produtores rurais que utilizam destas variedades
estariam se beneficiando do menor custo de produção
peculiar a elas. Terceiro, porque quando o sojicultor planta uma
variedade desenvolvida para outra região ou país ele
está abrindo mão de parte da produtividade na sua
lavoura. Se variedades GM desenvolvidas para o Brasil estivessem
legalmente disponíveis, os produtores que optassem por esta
tecnologia poderiam contar com variedades mais produtivas além
do benefício do menor custo de produção. Isto
contruibuiria também para uma maior competitividade da soja
brasileira no mercado exterior.
Pode-se
observar que há uma tendência dos debate sobre OGM's na
mídia retratar pessoas ou instituições como a
favor ou contra esta tecnologia. Mais importante do que isto é
analizar friamente a segurança dos novos produtos caso a caso
e, assegurar que qualquer GMO que eventualmente possa apresentar
algum risco não atinja o mercado e, que aqueles que são
igualmente seguros aos convencionais sejam disponibilizados para que
tanto o consumidor final quanto o produtor rural possam deles se beneficiar.
Finalmente,
o relatório da Royal Society, um documentoelaborado por
renomados cientístas, faz uma reflexão sobre dados
obtidos tanto por instituições de pesquisa quanto por
organizações não governamentais,
concluíndo que os alimentos geneticamente modificados
são tão seguros quanto os convencionais, não
havendo qualquer razão para se suspeitar que os produtos GM
já aprovados para plantio e comércio possam fazer
queluer mal a saúde humana.
*
Professor da Universidade Federal de Viçosa em treinamento
nos EUA.
Email:
olive032@umn.edu
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